Ex-deputado é condenado por oferecer combustível a eleitores em troca de votos em MT![]() |
| José Riva |
O
ex-deputado estadual José Riva foi condenado pela Justiça Eleitoral por
compra de votos e formação de quadrilha em Campo Verde, a 139 km de
Cuiabá, durante as eleições de 2010, última vez em que disputou e foi
eleito para uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT),
onde permaneceu por mais de 20 anos. Ao G1, a defesa de Riva disse que ainda não foi comunicada da decisão e que deverá se manifestar somente após a notificação.
Além
de Riva, também foram condenados Álvaro Luiz Gaidex e dois
ex-vereadores daquele município, Fernando Schroeter e Marcelo Vieira de
Moraes, o Koité. Segundo consta no processo, os três atuavam como cabos
eleitorais de Riva em Campo Verde e foram acusados de aliciar eleitores,
fornecendo combustíveis em troca de votos ao então candidato José Riva.
A
decisão da juíza eleitoral Caroline Schneider Guanaes Simões, de Campo
Verde, foi assinada no dia 30 de março, mas divulgada apenas na
quinta-feira (1º) no Diário da Justiça do Tribunal Regional Eleitoral
(TRE-MT). A reportagem não localizou as defesas dos cabos eleitorais. No
processo, porém, todos pediram por absolvição.
Ao
decidir pela condenação dos réus, a juíza Caroline Simões afirmou que a
materializada dos crimes foi comprovada em conversas obtidas por meio
de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, bem como por
depoimentos colhidos durante as investigações. Ela afirmou que, apesar
da negativa dos réus, ficou evidente a associação dos acusados para
estruturar um esquema a fim de angariar votos em favor de Riva.
“A
prova dos autos demonstra que, de fato, os réus engendraram e
estruturaram esquema para a compra de votos consistente na entrega de
vales combustível a pretensos eleitores, situação já denunciada na
notícia anônima que deu origem a investigação que embasou a ação e
também corroborada pelos tickets apreendidos”, disse a juíza.
Penas
A
juíza condenou Riva a dois anos e dois meses de prisão em regime aberto
e pagamento de cinco dias-multa. No entanto, a pena privativa de
liberdade foi substituída por duas restritivas de direito, sendo uma
consistente no pagamento de 15 salários mínimos.
Fernando
Schroeter foi condenado a dois anos de prisão, pena que foi substituída
pelo pagamento de 10 salários mínimos (no valor vigente na época), além
de cinco dias-multa. Marcelo Vieira, por sua vez, foi condenado a um
ano de prisão, pena que foi convertida em quatro salários mínimos. Para
Álvaro Gaidez, a pena aplicada foi de dois anos de prisão, convertida em
pagamento de seis salários mínimos e cinco dias-multa.
Outro lado
Fernando
Schroeter alegou que foi vereador por seis vezes naquele município e
que, na campanha, atuou como coordenador da campanha de Riva, cuidando
da parte legal e das contratações dos cabos eleitorais e dos pagamentos
dessas pessoas. Ele afirmou, ainda, que era o responsável pelo pagamento
dos combustíveis e por fazer a interação de Cuiabá a Campo Verde.
Fernando alegou, ainda, que não havia provas para sua condenação.
Já
o ex-vereador Marcelo Vieira suscitou pela improcedência da denúncia.
Em juízo, ele afirmou que atuava na campanha como responsável pelos
carros de som e e que transportava, em um veículo tipo van, os cabos
eleitorais. Ele afirmou, ainda, que cuidava do abastecimentos dos carros
de som, cuidava das pessoas na rua e fazia o processo de adesivagem de
carros.
Em
Juízo, José Riva, que ao longo de 20 anos como deputado estadual
acumulou mais de 100 ações judiciais, negou todas as acusações. Ele
disse que, na ocasião, fazia oposição ao então prefeito e sua campanha
não era bem vista, razão pela qual “acredita que tudo não passou de uma
tentativa de prejudicar a sua imagem”. O ex-deputado afirmou, ainda, que
“nunca anuiu ou pediu que alguém fizesse campanha para favorecê-lo e em
troca de combustível”.
Álvaro
Gaidex pediu pela aplicação do princípio “in dubio pro reo” (na dúvida,
a favor do réu) ou, em caso de condenação, que a pena mínima fosse
aplicada.

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